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Mobilidade sob ataque: Criminosos bloqueiam passarela da Linha Amarela com concreto

Criminosos instalam blocos de concreto em passarela que liga Inhaúma a Del Castilho, impedindo o acesso à Clínica da Família.

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Redação 360 Notícia
2 de junho de 2026 às 16:003 min
Mobilidade sob ataque: Criminosos bloqueiam passarela da Linha Amarela com concreto
Foto: Reprodução
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Criminosos instalam blocos de concreto em passarela da Linha Amarela, prejudicando o acesso de moradores de Inhaúma e Del Castilho a serviços de saúde. Idosos e pessoas com deficiência enfrentam sérias dificuldades de locomoção devido às barreiras impostas pelo crime organizado.

A insegurança pública no Rio de Janeiro ganhou um novo e alarmante capítulo nesta semana, afetando diretamente a mobilidade urbana em uma das principais vias expressas da capital fluminense. Criminosos que atuam na Zona Norte da cidade instalaram barreiras físicas, conhecidas popularmente como barricadas, em uma passarela estratégica sobre a Linha Amarela. A estrutura, que serve como ponto fundamental de travessia para centenas de cidadãos diariamente, conecta os bairros de Inhaúma e Del Castilho. De acordo com relatos de quem circula pela região, blocos de concreto foram estrategicamente posicionados nas duas extremidades da passagem elevada, obstruindo o fluxo livre e forçando os pedestres a realizarem manobras arriscadas para conseguir atravessar.

O local da ocorrência possui uma importância social crítica, pois a passarela estabelece a ligação direta entre a comunidade Águia de Ouro e a Clínica da Família Sérgio Nicolau Amin. A instalação dessas barreiras pelo crime organizado não representa apenas uma afronta ao poder público, mas um ataque direto ao direito de acesso à saúde e aos serviços básicos. Moradores da região, que já convivem com a rotina de violência, agora precisam lidar com obstáculo físicos para chegar a consultas médicas ou para se deslocarem para o trabalho. Imagens obtidas por denúncias mostram o tamanho do desafio: os blocos de concreto são pesados e estão dispostos de forma a deixar apenas frestas ou obrigar o salto sobre a estrutura, o que expõe a população a quedas e outros incidentes.

O impacto dessa ação criminosa é sentido de forma ainda mais cruel pelos grupos vulneráveis. Idosos, gestantes e pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida tornaram-se dependentes da solidariedade de terceiros para conseguir vencer as barreiras de concreto. O trajeto, que deveria ser feito em poucos minutos de forma segura, transformou-se em um percurso de exclusão. A tática de barricar acessos, comumente utilizada em ruas internas de comunidades para dificultar o acesso de viaturas policiais e veículos blindados, agora se estende para áreas de circulação exclusiva de pedestres em vias arteriais do Rio, demonstrando uma tentativa de expansão do controle territorial paralelo.

Historicamente, a Linha Amarela é um dos eixos viários mais vigiados e importantes do Rio de Janeiro, ligando a Baixada de Jacarepaguá à Ilha do Fundão e à Avenida Brasil. No entanto, o trecho que corta bairros como Inhaúma e Bonsucesso sofre frequentemente com a proximidade de áreas de conflito. A utilização de infraestrutura pública, como passarelas e pontes, para a criação de "checkpoints" ou obstáculos defensivos por parte de facções criminosas é um fenômeno que desafia a engenharia de segurança pública do estado. Este tipo de ação visa, prioritariamente, desacelerar incursões policiais e monitorar quem entra e sai das comunidades, submetendo a população civil a uma vigilância constante e autoritária.

Questionada sobre a situação, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro afirmou que não havia sido acionada especificamente para este chamado até que as imagens ganhassem repercussão. A Prefeitura do Rio de Janeiro, por sua vez, garantiu que enviaria equipes para apurar os fatos e realizar a remoção dos entulhos, embora a segurança para tal operação dependa de apoio policial ostensivo. O que se espera nos próximos dias é uma operação conjunta para a desobstrução da via pública, porém, o temor dos moradores é que as barricadas sejam repostas assim que as autoridades se retirarem do local. O caso reforça a necessidade urgente de uma política de segurança que não apenas remova obstáculos físicos, mas que consiga garantir o controle permanente do Estado sobre os equipamentos de mobilidade urbana.

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