Líder religioso é preso em SC sob suspeita de tortura e abuso psicológico em sessões
Investigado utilizava vídeos de agressões para coagir seguidores; histórico de violência e posse de arma reforçaram a necessidade de detenção temporária.

Um homem conhecido como "Bruxo" foi detido em Santa Catarina sob suspeita de torturar uma mulher em um templo religioso. O crime, registrado em vídeo, revela um esquema de controle psicológico e violência física sob o pretexto de liderança espiritual. O suspeito já possui histórico criminal.
Uma operação policial realizada em São Lourenço do Oeste, no Oeste catarinense, resultou na prisão de um homem de 25 anos, autodenominado "Bruxo", sob a acusação de torturar uma mulher dentro de um templo espiritual. O caso ganhou repercussão nacional após vídeos das agressões circularem nas redes sociais, revelando cenas de violência física e humilhação psicológica impostas à vítima durante o que deveria ser uma cerimônia religiosa. De acordo com as investigações conduzidas pela Polícia Civil de Santa Catarina, a ação criminosa visava punir a mulher por supostas críticas desferidas contra a conduta do líder religioso, configurando uma tentativa de repressão e controle total sobre os membros do grupo.
O episódio de barbárie foi meticulosamente registrado por aparelhos celulares dos presentes, o que serviu como prova crucial para a decretação da prisão temporária. Nas imagens, o suspeito aparece agredindo a vítima com o objetivo de obter confissões sobre comentários negativos que ela teria feito a seu respeito. Um detalhe que chamou a atenção dos investigadores foi a conduta manipuladora do agressor: imediatamente após a sessão de tortura, o homem simulou um mal-estar espiritual, técnica frequentemente utilizada em contextos de abuso religioso para desviar o foco da violência cometida e imputar a autoria dos atos a "entidades" ou forças sobrenaturais, eximindo o indivíduo de sua responsabilidade pessoal pelos atos cruéis.
As investigações apontam que o suspeito utiliza sua posição de destaque no cenário espiritual para exercer um domínio absoluto e coercitivo sobre seus seguidores. Além do crime de tortura, o "Bruxo" está sendo alvo de inquéritos que apuram ameaças, constrangimento ilegal e agressões graves contra uma segunda vítima. O perfil traçado pela Polícia Civil indica um padrão de comportamento predatório, onde a fé é instrumentalizada para a prática de crimes e o isolamento das vítimas. O detido já possui um histórico criminal preocupante, com registros anteriores de posse irregular de arma de fogo e um indiciamento por cárcere privado, elementos que reforçam a periculosidade social do indivíduo e a necessidade do seu afastamento do convívio comunitário.
A operação que culminou na prisão foi capitaneada pela Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI), contando com o suporte da Divisão de Investigação Criminal (DIC) e do Núcleo de Operação com Cães (NOC). Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão na residência do suspeito, localizada no bairro Perpétuo Socorro, os agentes coletaram evidências que poderão embasar novas denúncias. Este caso lança luz sobre a vulnerabilidade de pessoas em busca de auxílio espiritual, evidenciando como lideranças carismáticas podem subverter dogmas de acolhimento para estabelecer regimes de medo e silenciamento. No Brasil, episódios dessa natureza têm sido cada vez mais monitorados pelas forças de segurança, que buscam coibir o uso abusivo da liberdade religiosa como escudo para violações de direitos humanos fundamentais.
Atualmente, o investigado cumpre prisão temporária de 30 dias, prazo estabelecido pela legislação para crimes hediondos, podendo ser prorrogado ou convertido em prisão preventiva ao final das diligências. Esse período é considerado vital pela Polícia Civil para a extração de dados eletrônicos de dispositivos apreendidos e para a tomada de depoimentos de testemunhas que, até então, sentiam-se coagidas pela influência do agressor. Além disso, as autoridades buscam identificar outros frequentadores que testemunharam os atos de tortura e não prestaram socorro ou denunciaram o crime, podendo estes responder por omissão. A expectativa é que, com o avanço das oitivas, novos detalhes sobre a estrutura do templo e possíveis outras vítimas venham à tona, garantindo que o Poder Judiciário possa aplicar a justiça de forma ampla e pedagógica.






