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Itália proíbe apresentações de Kanye West e Travis Scott por riscos à segurança pública

Autoridades de Reggio Emilia cancelaram eventos que reuniriam mais de 100 mil pessoas citando risco de protestos e histórico de antissemitismo.

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Redação 360 Notícia
30 de maio de 2026 às 09:003 min
Itália proíbe apresentações de Kanye West e Travis Scott por riscos à segurança pública
Foto: Reprodução
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A Itália vetou as apresentações de Kanye West e Travis Scott em Reggio Emilia por receios graves de segurança e ordem pública. A decisão ocorre após pressão de entidades judaicas e grupos de consumidores devido ao histórico de falas antissemitas de Ye e tragédias em shows de Scott.

As autoridades italianas anunciaram uma medida drástica que impacta diretamente o cenário cultural e de entretenimento da Europa: a proibição oficial de duas apresentações de grande porte programadas para a cidade de Reggio Emilia, no norte do país. Os shows dos rappers americanos Kanye West, agora conhecido como Ye, e Travis Scott, que ocorreriam em julho na RCF Arena, foram vetados por determinação oficial. O prefeito da localidade, Salvatore Angieri, fundamentou a decisão com base em riscos severos à ordem pública e à segurança coletiva, interrompendo o planejamento de dois dos maiores nomes da música contemporânea global em solo italiano.

O cenário que levou ao cancelamento é complexo e envolve o histórico controverso de ambos os artistas. Kanye West tem sido alvo de boicotes sistemáticos em diversas nações europeias devido às suas recorrentes declarações antissemitas e comportamentos erráticos. Em anos recentes, o rapper gerou indignação internacional ao tecer elogios à figura de Adolf Hitler e utilizar simbologia nazista em materiais promocionais e aparições públicas. Embora West tenha tentado justificar suas ações citando problemas de saúde mental decorrentes de um transtorno bipolar não tratado e tenha apresentado pedidos de desculpas formais, a comunidade internacional permanece em alerta máximo quanto à sua influência e ao potencial de incitação ao ódio em eventos de massa.

Do outro lado, Travis Scott carrega o peso das investigações e do escrutínio público sobre protocolos de segurança após a tragédia ocorrida no festival Astroworld, em Houston, em 2021. Naquela ocasião, um esmagamento de multidão resultou na morte de dez pessoas e deixou centenas de feridos. Desde então, cada apresentação de Scott é analisada sob uma lupa rigorosa por órgãos de inteligência e defesa civil. A logística proposta para a Itália previa que Scott se apresentasse no festival “Pulse of Gaia” no dia 17 de julho, seguido por Ye no dia 18. A RCF Arena, local dos eventos, possui capacidade para mais de 103 mil pessoas, o que exigiria um aparato de segurança monumental para controlar o fluxo de quase 200 mil espectadores em um intervalo inferior a 24 horas.

A decisão do prefeito Angieri não foi unilateral, mas sim o resultado de uma pressão coordenada por importantes grupos da sociedade civil. O grupo de defesa dos consumidores CODACONS e as comunidades judaicas das regiões de Modena e Reggio Emilia protocolaram pedidos formais para que a infraestrutura municipal não fosse cedida aos artistas. Os argumentos principais giraram em torno do "risco concreto" de manifestações violentas e confrontos entre apoiadores e opositores dos rappers nas ruas da cidade. Além disso, as autoridades citaram precedentes em outros países: o Reino Unido já havia negado entrada a Ye por considerar sua presença contrária ao interesse público, e países como França, Polônia e Suíça também barraram ou forçaram o adiamento de suas performances recentemente.

Para o público brasileiro e investidores do setor de eventos, o caso serve como um alerta sobre a crescente responsabilidade compliance e ética na contratação de grandes estrelas. O cancelamento na Itália demonstra que a viabilidade de um show não depende apenas do sucesso comercial ou da venda de ingressos, mas de uma gestão de crise que envolve segurança nacional e sensibilidade diplomática. Enquanto Ye segue com apresentações confirmadas na Turquia e na Holanda (onde o governo alegou falta de base legal para o veto), o bloqueio na Itália sinaliza um endurecimento das políticas culturais europeias frente ao discurso de ódio e à negligência operacional em eventos de massa. Por ora, as equipes de produção dos artistas e os organizadores do "Pulse of Gaia" não emitiram notas oficiais sobre possíveis realocações ou processos de reembolso para os fãs.

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