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Inquérito investiga suspeita de irregularidades em imóveis do prefeito de Rio Preto

Investigação apura uso de dinheiro em espécie e possível ocultação de patrimônio em propriedades de luxo e rural.

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Redação 360 Notícia
22 de maio de 2026 às 12:003 min
Inquérito investiga suspeita de irregularidades em imóveis do prefeito de Rio Preto
Foto: Reprodução
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Ministério Público de São Paulo ordena investigação sobre a compra de imóveis em espécie pelo prefeito de São José do Rio Preto, Coronel Fábio Cândido. A denúncia aponta discrepâncias de valores e possível ocultação de patrimônio em sítio e casa de luxo.

O Ministério Público de São Paulo determinou a abertura imediata de um inquérito policial para investigar possíveis irregularidades e crimes de lavagem de dinheiro envolvendo a aquisição de propriedades imobiliárias por parte do prefeito de São José do Rio Preto, Coronel Fábio Cândido (PL). A decisão acontece após novas evidências serem apresentadas, levantando suspeitas sobre a origem dos recursos utilizados para a compra de uma residência em um condomínio de luxo e de uma propriedade rural situada no distrito de Talhado. A investigação, que agora corre sob a responsabilidade da Delegacia Seccional de Polícia da cidade, foca principalmente no uso de montantes significativos de dinheiro em espécie para quitar os bens, prática que costuma acender alertas nos órgãos de controle financeiro.

O caso ganha contornos de maior complexidade devido ao histórico recente do processo. Inicialmente, a Promotoria de São José do Rio Preto havia optado pelo arquivamento da apuração, sob o argumento de que não havia elementos suficientes para prosseguir. No entanto, a Procuradoria-Geral de Justiça do Estado reviu a decisão e ordenou a continuidade dos trabalhos. A mudança de postura do órgão superior baseou-se em novos indícios levados por um grupo articulado de vereadores — Alexandre Montenegro (PL), João Paulo Rillo (PT), Pedro Roberto Gomes (Republicanos) e Renato Pupo (Avante) —, que identificaram discrepâncias entre os valores declarados nas escrituras públicas e os valores de mercado ou efetivamente transacionados entre as partes envolvidas.

Entre os pontos centrais da denúncia está uma casa localizada em um condomínio fechado, cujo valor registrado em cartório é de R$ 500 mil. Contudo, os parlamentares sustentam que o imóvel possui um valor patrimonial muito superior e que a transação teria sido realizada integralmente com cédulas físicas. Oficialmente, o nome que consta na escritura dessa propriedade é o de um irmão do prefeito, o que sugere a possibilidade de ocultação de patrimônio por meio de laranjas. Somado a isso, há o sítio em Talhado, uma extensão de 36 mil metros quadrados oficialmente avaliada em R$ 200 mil, mas que, segundo depoimentos colhidos pela Câmara Municipal, teria sido negociada por R$ 600 mil pagos em dinheiro vivo. Este segundo imóvel está registrado no nome de Fábio Cândido e de sua esposa, Josiane Cândido.

Um dos pilares que sustenta a reabertura do caso é o depoimento gravado do irmão do antigo proprietário do sítio. Em oitiva realizada por uma comissão parlamentar e registrada pela TV Legislativa local, ele detalhou que a venda envolveu quantias não declaradas oficialmente, confirmando o pagamento em espécie. Essas declarações foram fundamentais para que a Procuradoria-Geral de Justiça entendesse que o cenário jurídico havia mudado desde o primeiro arquivamento, exigindo agora uma verificação técnica aprofundada por parte da polícia judiciária e de peritos contábeis, que deverão analisar a compatibilidade da renda do prefeito com tais aquisições.

A relevância deste caso para o cenário político de São José do Rio Preto é imensa, especialmente considerando o perfil de Fábio Cândido, que construiu sua carreira na Polícia Militar e utiliza o título de Coronel como parte de sua identidade política. Em nota oficial, o prefeito manifestou tranquilidade e afirmou que seu patrimônio é totalmente compatível com os vencimentos acumulados durante sua trajetória na reserva da PM e seus subsídios como chefe do Executivo. Ele defende que todos os bens foram declarados aos órgãos competentes e que a reabertura do inquérito é uma etapa natural de conferência de novos documentos, colocando-se à disposição para prestar esclarecimentos. O desdobramento das investigações será crucial para determinar se houve crime de improbidade administrativa ou lavagem de capitais, o que pode impactar diretamente seu futuro político e administrativo na região.

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