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Impasse em Ribeirão Preto: Resgate de cachorro idoso expõe conflito entre polícia e protetores

Após denúncias de vizinhos, animal de 14 anos foi retirado de apartamento, mas decisão da Polícia Civil de considerar sua devolução causa indignação.

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Redação 360 Notícia
2 de junho de 2026 às 16:003 min
Impasse em Ribeirão Preto: Resgate de cachorro idoso expõe conflito entre polícia e protetores
Foto: Reprodução
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O resgate de um cão idoso em Ribeirão Preto (SP) provocou um impasse jurídico entre a Polícia Civil e protetores de animais após denúncias de que o bicho era mantido acorrentado em uma varanda. O caso levanta debates sobre a definição legal de maus-tratos e a segurança do animal.

Um caso de suposto crime contra a fauna mobilizou as autoridades e a comunidade de protetores de animais em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, no início desta semana. O resgate de um cachorro idoso, de 14 anos, gerou um intenso debate jurídico e ético após a Polícia Civil sinalizar a possibilidade de devolução do animal aos seus tutores originais. O conflito de opiniões entre os defensores da causa animal e o delegado plantonista expõe as nuances da aplicação das leis de proteção animal no Brasil e a complexidade na caracterização imediata de casos de maus-tratos.

A intervenção ocorreu em um condomínio no bairro Nova Aliança, situado na zona Sul da cidade. Segundo os relatos colhidos durante a diligência, vizinhos vinham monitorando a situação do cão há pelo menos um mês e meio, registrando queixas sobre as condições em que o animal era mantido. A denúncia que culminou no resgate na última segunda-feira mencionava que o cachorro passava longos períodos confinado em um espaço reduzido na varanda do apartamento, sofrendo sob as intempéries e em condições de higiene questionáveis. A situação mobilizou a Polícia Militar e representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que acompanharam a retirada do bicho do imóvel.

Ao ser resgatado, o animal apresentava um quadro clínico sensível, compatível com sua idade avançada, mas agravado por feridas aparentes e sinais de privação. Fabiola Coelho, presidente da Comissão de Direito dos Animais da OAB de Ribeirão Preto, assumiu temporariamente a responsabilidade pelo cão como "fiel depositária". De acordo com avaliações veterinárias preliminares, o animal necessita de um tratamento intensivo com antibióticos por, no mínimo, 30 dias. A polêmica se instaurou quando o delegado do caso, após ouvir os tutores na Central de Polícia Judiciária (CPJ), decidiu não manter a apreensão definitiva de imediato, sugerindo que o animal retornasse ao lar original. Para a defesa dos animais, tal medida seria um retrocesso perigoso diante das evidências de negligência encontradas no local.

O conceito jurídico de maus-tratos no Brasil tem passado por transformações significativas, especialmente após a sanção da Lei Sansão (Lei 14.064/2020), que endureceu as penas para crimes contra cães e gatos. Entretanto, especialistas apontam que o crime não se configura apenas por agressão física direta. "Maus-tratos abrangem privação de espaço, falta de alimentação adequada, ausência de cuidados médicos e exposição a estresse desnecessário", afirma Fabiola Coelho. No caso de Ribeirão Preto, os tutores negaram qualquer irregularidade à polícia, o que levou a autoridade policial a requisitar perícias adicionais para comprovar se os ferimentos eram decorrentes de doenças da idade ou de falta de cuidado deliberada. Esse impasse burocrático é uma barreira comum enfrentada por protetores que buscam a guarda definitiva de animais resgatados.

Atualmente, o cachorro permanece sob a guarda da representante da OAB, enquanto medidas judiciais são preparadas para impedir sua devolução. A estratégia agora foca em demonstrar que o ambiente do apartamento é inadequado para a recuperação da saúde do animal. A comunidade local e grupos de proteção animal seguem acompanhando o desdobramento do boletim de ocorrência, esperando que a análise técnica da veterinária que atendeu o caso sirva como prova definitiva. Enquanto o processo administrativo e judicial tramita, o caso serve de alerta para a importância da vigilância cidadã e da necessidade de protocolos policiais mais integrados às orientações de bem-estar animal em situações de urgência.

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