Homem é preso em Franca após torturar companheira com queimaduras e agressões
Vítima de 60 anos sofreu queimaduras e enforcamento; crime ocorreu no bairro Santa Hilda e suspeito foi detido por tortura.

Um homem foi preso em Franca (SP) após agredir e torturar sua companheira de 60 anos. A vítima sofreu queimaduras nas mãos e coxas e relatou ter sido enforcada. O suspeito foi detido em flagrante e o caso é investigado como tortura e lesão corporal.
Um episódio de extrema brutalidade chocou os moradores do bairro Santa Hilda, em Franca, no interior de São Paulo, na última sexta-feira (30). Um homem, cuja identidade não foi revelada pelas autoridades policiais até o momento, foi detido em flagrante após ser acusado de torturar e agredir fisicamente sua companheira, uma idosa de 60 anos com quem mantinha um relacionamento estável há quase duas décadas. A intervenção da Polícia Militar ocorreu após denúncias de violência doméstica, revelando um cenário de agressividade que culminou em lesões graves e queimaduras pelo corpo da vítima.
De acordo com as informações registradas no boletim de ocorrência, o agressor chegou à residência do casal apresentando sinais claros de embriaguez. Sem motivos aparentes relatados, ele teria iniciado uma série de ataques contra a mulher de 60 anos. Os relatos da vítima são detalhados e alarmantes: ela afirmou ter sofrido tentativas de enforcamento, além de ter sido golpeada repetidamente com tapas e socos. O período de dezenove anos de convivência entre os dois não impediu a escalada da violência, que ultrapassou os limites das agressões físicas convencionais para o que a justiça agora investiga como atos de tortura.
O ponto mais crítico da ocorrência envolve queimaduras identificadas nas mãos e nas coxas da idosa. Ao ser questionado pelos policiais militares que efetuaram a prisão, o suspeito admitiu ser o autor dos ferimentos, alegando que teria utilizado um isqueiro para queimar a companheira. Contudo, a equipe policial e os socorristas notaram que a extensão e a profundidade das lesões pareciam incompatíveis com o uso exclusivo de um isqueiro, levantando suspeitas de que algum outro agente inflamável ou objeto aquecido possa ter sido utilizado durante o crime. Essa divergência entre o depoimento do agressor e o estado clínico da vítima será um dos pilares da investigação conduzida pela Polícia Civil.
A vítima foi imediatamente socorrida e encaminhada ao Pronto Socorro Municipal de Franca, onde recebeu cuidados médicos de urgência e passou por exames de corpo de delito para documentar a gravidade dos ferimentos. Enquanto isso, o homem foi conduzido à Central de Polícia Judiciária (CPJ) da cidade. Diante dos fatos narrados e das evidências físicas, a autoridade policial ratificou a prisão em flagrante, tipificando o crime não apenas como lesão corporal no âmbito da violência doméstica, mas também sob a agravante de tortura, dada a crueldade dos meios empregados na agressão.
Este caso reforça a urgência do debate sobre a proteção de mulheres em idade avançada, muitas vezes inseridas em ciclos de violência doméstica que duram décadas. No Brasil, a Lei Maria da Penha e o Estatuto do Idoso oferecem proteções específicas, mas a subnotificação ainda é um desafio. O desdobramento jurídico agora aguarda o laudo oficial do Instituto Médico Legal (IML), que determinará a natureza exata das queimaduras. O suspeito permanece à disposição da Justiça e poderá responder a uma pena severa caso as acusações de tortura sejam confirmadas no processo judicial. A Polícia Civil de Franca segue colhendo depoimentos de vizinhos e familiares para entender se já existiam registros anteriores de violência na residência.






