Governo de Minas fixa preço mínimo de R$ 47,23 por ação na privatização da Copasa
Estado define lance inicial abaixo do valor de mercado para atrair investidores e prevê início das negociações na bolsa em junho.

O governo de Minas Gerais definiu o preço mínimo de R$ 47,23 por ação para o processo de privatização da Copasa. A oferta pública visa atrair um investidor de referência para assumir o controle da estatal de saneamento, com os recursos sendo destinados aos cofres públicos.
O governo de Minas Gerais deu um passo decisivo no processo de desestatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) ao estabelecer, nesta quinta-feira (28), os valores balizadores para a venda de seu controle acionário. Em fato relevante publicado pela gestão estadual, foi definido que o preço mínimo para a oferta pública de ações da estatal será de R$ 47,23 por papel. O anúncio ocorre em um momento de intensa movimentação no mercado financeiro, uma vez que o valor estipulado pelo Executivo mineiro está ligeiramente abaixo da cotação de fechamento do pregão anterior na B3, quando as ações encerraram o dia valendo R$ 50,75. Essa precificação inicial é estratégica para atrair grandes grupos de infraestrutura e garantir a liquidez da operação na bolsa de valores.
A tentativa de privatizar a Copasa faz parte de um conjunto de reformas estruturais propostas pela atual administração estadual, que busca modernizar o saneamento básico em Minas Gerais e aliviar as contas públicas. Historicamente, a empresa tem sido um dos ativos mais valiosos do patrimônio mineiro, mas o governo argumenta que a transferência para o setor privado é necessária para acelerar investimentos previstos no Marco Legal do Saneamento, que exige a universalização do acesso a água potável e tratamento de esgoto. No modelo escolhido, a privatização ocorrerá por meio de uma oferta pública de distribuição secundária, o que significa que o Estado venderá suas ações existentes diretamente ao mercado, direcionando os recursos arrecadados para o Tesouro Estadual, sem capitalizar diretamente o caixa da companhia neste primeiro momento.
De acordo com os documentos protocolados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o governo pretende alienar um lote principal de 171.113.881 ações ordinárias. Existe, no entanto, a possibilidade de um lote suplementar integrar a venda. Este lote extra sofreu uma pequena redução técnica no cronograma atual, passando de um teto inicial para 19.035.730 ações. Essa mudança foi justificada por bloqueios judiciais que recaem sobre uma parcela minoritária de 46.737 papéis ainda sob titularidade do Estado. Mesmo com esse detalhe jurídico, o volume de ativos disponível é suficiente para alterar drasticamente a governança da companhia, permitindo que a administração pública deixe de ser a acionista controladora.
A estrutura do certame prevê a figura do "investidor de referência", um ator central que deve assumir 30% do capital social da Copasa. Para atrair grupos de grande porte e com experiência internacional em infraestrutura, o governo mineiro impôs exigências rígidas de solvência, incluindo a apresentação de uma carta de fiança no valor de pelo menos R$ 7 bilhões. Este mecanismo assegura que o novo controlador terá capacidade financeira para honrar os compromissos de expansão da rede de distribuição. Caso o processo atraia um investidor desse perfil, o Estado mantém a opção de permanecer com uma fatia residual de 5% da empresa. Por outro lado, caso não surja um comprador para o bloco de 30%, o governo está autorizado a liquidar toda a sua participação nas fatias disponíveis ao mercado geral.
Para o cidadão mineiro e para o investidor médio, o cronograma estabelecido é imediato. Os grandes grupos interessados em se tornarem investidores de referência têm um prazo curto, até o dia 3 de junho, para ratificar suas propostas ou desistir do processo. Já para o pequeno investidor, o período de reserva de ações começa no dia 5 de junho. A expectativa é que as ações da "nova" Copasa privatizada comecem a ser negociadas livremente na bolsa no dia 15 de junho, com a liquidação financeira ocorrendo no dia útil subsequente. Este movimento coloca Minas Gerais na vitrine do setor elétrico e de saneamento no Brasil, seguindo caminhos similares aos tomados por outros estados em processos de desestatização de serviços essenciais, sob a promessa de maior eficiência operacional e redução de perdas hídricas.






