Feminicídio em Campos: Homem mata ex-mulher em ação planejada após saída dos filhos
Ruan Henrique matou Camile Antunes um minuto após os filhos saírem para a escola; agressor tirou a própria vida logo depois.

Um crime premeditado chocou Campos dos Goytacazes nesta terça-feira (2). Ruan Henrique matou a ex-mulher, Camile Antunes, a facadas logos após os filhos saírem para a escola. O agressor tirou a própria vida em seguida, deixando um histórico de violência doméstica não denunciada oficialmente.
Uma tragédia familiar abalou a cidade de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, na manhã desta terça-feira (2). Camile Barbosa Duarte Antunes, de 30 anos, foi brutalmente assassinada a facadas por seu ex-companheiro, Ruan Henrique Oliveira de Souza, de 31 anos. O crime ocorreu no bairro Parque Califórnia, dentro da residência da vítima, em um cenário que a Polícia Civil classificou como meticulosamente planejado. De acordo com os investigadores, a ação foi executada no curto intervalo de tempo logo após os filhos gêmeos do casal, de apenas 12 anos, deixarem o imóvel para irem à escola, evitando que as crianças presenciassem o ato de violência direta.
As investigações conduzidas pela 134ª Delegacia de Polícia (Centro) revelam que o comportamento agressivo de Ruan não era um fato isolado. O histórico do casal, que esteve unido por cerca de 15 anos, era marcado por episódios de violência doméstica e instabilidade emocional. Segundo relatos colhidos pela delegada adjunta Madeleine Dykeman, o agressor já havia demonstrado intenções letais anteriormente. Há cerca de duas semanas, ele teria invadido a casa portando uma arma de fogo, ameaçando a vida de Camile e afirmando que cometeria suicídio em seguida. Esse ciclo de violência física e psicológica se intensificou após a descoberta de uma traição por parte do homem, o que motivou a separação definitiva do casal.
O monitoramento por câmeras de segurança da rua foi fundamental para elucidar a cronologia do feminicídio. As imagens mostram que os filhos do casal saíram de casa em um veículo às 7h21. Apenas um minuto depois, às 7h22, Ruan utilizou chaves que ainda possuía para entrar no imóvel. A perícia técnica encontrou o corpo de Camile sobre a cama, apresentando múltiplas perfurações por arma branca em regiões vitais, incluindo a nuca e o peito, além de ferimentos nas mãos que indicam uma tentativa desesperada de defesa. A brutalidade dos golpes reforça a tese de um crime passional motivado pela incapacidade do agressor em aceitar o fim do relacionamento.
Após cometer o assassinato, os registros mostram que o homem saiu brevemente da residência, por volta das 8h15, possivelmente para buscar os materiais necessários para tirar a própria vida. Ele retornou ao local e foi encontrado morto por enforcamento nos fundos do imóvel. Diante do falecimento do autor do crime, o ordenamento jurídico brasileiro prevê a extinção da punibilidade. Na prática, isso significa que não haverá um processo criminal para condenação, uma vez que o réu está morto. No entanto, o inquérito policial continuará com a análise dos celulares apreendidos para confirmar se houve auxílio de terceiros ou monitoramento prévio da rotina da vítima por meio de dispositivos eletrônicos.
Este caso levanta, mais uma vez, o debate urgente sobre a eficácia das redes de proteção à mulher no Brasil. Apesar de Camile ter sofrido agressões severas no passado — chegando a apresentar hematomas visíveis em fevereiro —, ela nunca chegou a registrar ocorrência formal ou solicitar medidas protetivas de urgência. Para especialistas em segurança pública e direitos humanos, o silêncio das vítimas muitas vezes é fruto do medo e da dependência emocional, o que evidencia a necessidade de maior acolhimento social. Os dois filhos do casal agora enfrentam o trauma da perda de ambos os pais e estão sob os cuidados de familiares, enquanto a comunidade de Campos dos Goytacazes permanece em luto diante de mais um caso devastador de feminicídio no estado do Rio de Janeiro.






