Ex-mulher de servidor morto pela PM em Cuiabá revela histórico de 27 anos de abusos em depoimento
Depoimentos à Polícia Civil detalham histórico de violência doméstica e contestam versão da PM sobre confronto que vitimou Valdivino Fidelis.

Ex-esposa relata 27 anos de abusos cometidos por servidor morto em Cuiabá. Polícia Civil investiga divergências entre depoimentos e versão da PM sobre o caso no bairro Goiabeiras.
Novos detalhes surgiram nas investigações sobre a morte de Valdivino Almeida Fidelis, de 58 anos, servidor do Liceu Cuiabano morto durante uma intervenção policial na última segunda-feira (11). Em depoimento à Delegacia de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), a ex-mulher da vítima revelou um histórico de quase três décadas marcado por violência doméstica. Segundo ela, o relacionamento de 27 anos foi pautado por agressões físicas, infidelidades e um comportamento extremamente controlador, contrastando com a imagem pública de bom cidadão que Fidelis mantinha fora do ambiente familiar.
O delegado Bruno Abreu, que preside o inquérito, destacou que tanto a ex-companheira quanto a enteada de Fidelis prestaram declarações sob forte emoção. A mulher afirmou que diversas tentativas de separação foram frustradas ao longo dos anos devido às ameaças e ao ciúme possessivo do servidor. No dia do incidente, a Polícia Militar foi acionada sob a suspeita de que ele estaria mantendo a enteada em cárcere privado após não aceitar o fim da relação matrimonial.
A investigação agora foca nas contradições entre a versão oficial da Polícia Militar e os relatos das testemunhas presenciais. Enquanto a PM sustenta que Fidelis apontava uma arma contra a jovem e os agentes no momento da invasão, os depoimentos colhidos pela Polícia Civil indicam que ele estava com as mãos ocupadas por um celular e uma chave, com o armamento guardado na cintura sob a roupa. A DHPP apura se o local do crime foi alterado e se houve excesso ou conduta irregular por parte dos policiais envolvidos na ação.





