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Esquema de cobrança ilegal no maior hospital de Roraima termina com prisão de servidor

Técnico de radiologia é preso em flagrante no HGR após cobrar R$ 600 por exames gratuitos do SUS; Secretária de Segurança se disfarçou de médica para efetuar prisão.

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Redação 360 Notícia
2 de junho de 2026 às 21:003 min
Esquema de cobrança ilegal no maior hospital de Roraima termina com prisão de servidor
Foto: Reprodução
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Um técnico de radiologia foi preso em flagrante no Hospital Geral de Roraima por cobrar R$ 600 de pacientes para realizar ressonâncias pelo SUS. A operação contou com o disfarce da Secretária de Segurança para prender o servidor suspeito de lucrar ilegalmente por seis meses.

Um esquema criminoso de cobrança indevida por exames médicos gratuitos foi desmantelado na última segunda-feira (1º) dentro do Hospital Geral de Roraima (HGR), em Boa Vista. Um técnico de radiologia de 48 anos foi preso em flagrante sob a acusação de cobrar valores de pacientes para a realização de exames de ressonância magnética, procedimentos que são oferecidos sem custos através do Sistema Único de Saúde (SUS). A operação, marcada por uma estratégia de infiltração, revelou que o servidor público utilizava sua posição para lucrar indevidamente sobre a necessidade de cidadãos que buscavam atendimento na maior unidade de saúde do estado.

O caso ganhou contornos cinematográficos devido à estratégia utilizada pela Secretaria de Segurança Pública de Roraima (Sesp). A própria titular da pasta e delegada, Eliane Gonçalves, liderou a abordagem pessoalmente. Para não levantar suspeitas e evitar a fuga do suspeito ou a destruição de provas, a secretária vestiu-se com roupas características de profissionais da medicina. Acompanhada por três agentes também disfarçados, ela conseguiu acessar as dependências internas do hospital e o guichê de exames sem ser identificada. Segundo o relato oficial, o técnico confessou a prática criminosa imediatamente após ser confrontado, sendo conduzido à delegacia logo após os trâmites administrativos necessários para que o serviço do hospital não fosse interrompido.

De acordo com os dados levantados pelo Departamento de Inteligência da Sesp (Deint), o esquema já funcionava há pelo menos seis meses. Estima-se que, durante este período, ao menos 30 pacientes tenham sido vítimas da extorsão, pagando quantias que chegavam a R$ 600 por exame. A dinâmica envolvia intermediários: um casal, que ainda está sendo procurado pela polícia, atuava na captação dos pacientes. Em um dos casos relatados pela Secretaria de Saúde (Sesau), uma paciente foi acompanhada até o interior da unidade por um desses intermediários e só teve o exame liberado após a confirmação do pagamento via PIX. A gravidade da situação é acentuada pelo perfil dos pacientes atendidos, muitos deles oncológicos ou vítimas de AVC, que dependem da agilidade do diagnóstico para o sucesso do tratamento.

Este incidente levanta questões profundas sobre a segurança e o controle interno em hospitais públicos de alta complexidade. A prática do crime de peculato — quando o servidor desvia bens ou valores públicos para proveito próprio ou alheio — dentro de uma unidade de saúde prejudica não apenas as finanças públicas, mas corrói a confiança da população no SUS. Para o leitor brasileiro, habituado a enfrentar filas e dificuldades no atendimento público, episódios de corrupção sistêmica como este são particularmente revoltantes porque penalizam os mais vulneráveis. A Sesau reforçou, por meio de nota, que todos os procedimentos realizados no HGR são integralmente gratuitos e que qualquer solicitação de pagamento por parte de funcionários deve ser denunciada imediatamente às autoridades competentes.

Os desdobramentos jurídicos para o técnico preso são severos. Ele foi autuado por peculato e associação criminosa, crimes que podem resultar em anos de reclusão e na perda definitiva do cargo público após o devido processo legal. A investigação agora entra em uma nova fase, focada na localização dos comparsas e na identificação de outras possíveis vítimas que ainda não formalizaram queixa. A operação serviu também como um alerta para a administração estadual sobre a necessidade de monitoramento mais rigoroso dos fluxos de atendimento. Espera-se que, com a continuidade das investigações, novos detalhes sobre a participação de terceiros venham à tona, garantindo que o sistema de saúde de Roraima volte a focar exclusivamente no bem-estar social, livre de interferências ilícitas.

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