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Empresário com câncer terminal realiza o próprio velório em vida em Mato Grosso do Sul

Em gesto de protagonismo, empresário de 47 anos em Campo Grande reúne amigos e família para celebrar a própria trajetória antes da partida.

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Redação 360 Notícia
3 de junho de 2026 às 06:003 min
Empresário com câncer terminal realiza o próprio velório em vida em Mato Grosso do Sul
Foto: Reprodução
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Com diagnóstico de câncer terminal, o empresário Thiago Pitthan, de 47 anos, decidiu realizar o próprio velório enquanto ainda está vivo. A celebração em Campo Grande reuniu centenas de pessoas com música e homenagens, propondo uma nova forma de lidar com a despedida e a finitude.

Em um gesto pouco comum que desafia as convenções sociais sobre o luto e a finitude, o empresário Thiago Pitthan, de 47 anos, reuniu amigos e familiares em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, para uma cerimônia singular: o seu próprio velório em vida. Diagnosticado com câncer terminal, Thiago decidiu tomar as rédeas de sua despedida, transformando o que tradicionalmente seria um momento de profunda tristeza e silêncio em uma celebração vibrante repleta de música, abraços e homenagens diretas. O evento, que inicialmente causou estranhamento entre os entes queridos, acabou se tornando um marco de ressignificação sobre como encarar os momentos finais da existência humana.

A decisão de Thiago reflete um movimento crescente de busca por transparência e protagonismo em processos de cuidados paliativos. Para a família, o impacto da notícia foi um desafio emocional significativo. Mabel Shueler, mãe do empresário, expressou a dor e a perplexidade de participar de tal rito: "Vou ao velório do meu filho vivo", declarou, sintetizando a complexidade de sentimentos que envolvem ver alguém amado planejar sua própria despedida oficial. No entanto, com o passar do tempo e o diálogo, os irmãos e parentes compreenderam que o termo "velório", escolhido propositalmente pelo próprio Thiago, não era um convite à melancolia, mas uma oportunidade de expressar gratidão e afeto enquanto a comunicação e a consciência ainda permitem.

Ao contrário dos rituais fúnebres convencionais realizados em capelas frias, a celebração de Thiago foi marcada por um café da manhã coletivo, apresentações musicais e até rodas de samba. O encontro atraiu mais de uma centena de pessoas, extrapolando a lista inicial de convidados à medida que a mensagem de "viver até o último segundo" se espalhava. Um dos momentos mais emocionantes foi a chegada de um de seus irmãos que reside em Portugal, que viajou ao Brasil exclusivamente para participar desse reencontro planejado. A cerimônia contou ainda com performances ensaiadas por amigos e a promessa de um livro escrito pela irmã caçula, que encontrou na literatura uma forma de eternizar o legado do irmão antes mesmo de sua partida física.

Este cenário levanta discussões importantes no contexto brasileiro sobre a humanização da morte e os direitos de pacientes em estado terminal. No Brasil, o tema da "boa morte" ou ortotanásia — o processo de permitir que a morte ocorra em seu tempo natural, mas com dignidade e alívio do sofrimento — tem ganhado espaço em debates médicos e éticos. O caso de Thiago demonstra como o suporte emocional e a autonomia do paciente podem transformar a experiência do fim da vida. Sua companheira, que o acompanha há cerca de um ano, destaca que a convivência com ele tem sido uma lição diária de que a doença não anula o presente. Ela relata estar sendo "contagiada pela alegria" de alguém que se recusa a ser definido apenas pelo seu diagnóstico médico.

A relevância desse evento para o público em geral reside na quebra de tabus. Ao afirmar "quando eu morrer, eu morri; mas até lá, eu estou vivendo", Thiago propõe uma inversão de perspectiva: a morte é inevitável, mas o luto antecipado não precisa paralisar a vida. Especialistas em psicologia e tanatologia frequentemente apontam que rituais de despedida realizados em vida podem ajudar na elaboração do luto para quem fica, reduzindo sentimentos de culpa e coisas não ditas. O caso de Campo Grande deixa uma reflexão profunda sobre a qualidade do tempo e o valor dos vínculos humanos diante da fragilidade da saúde. Espera-se que a história de Thiago Pitthan sirva de inspiração para que outras famílias abordem temas difíceis com mais leveza e coragem.

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