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Crise na saúde: Falta de pediatras e obras paradas geram caos no atendimento em Campinas

Com o Hospital Mário Gattinho saturado e obras atrasadas na UPA São José, famílias enfrentam horas de espera e falta de médicos em meio ao surto de doenças respiratórias.

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Redação 360 Notícia
2 de junho de 2026 às 18:003 min
Crise na saúde: Falta de pediatras e obras paradas geram caos no atendimento em Campinas
Foto: Reprodução
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A crise na pediatria de Campinas se intensifica com a superlotação do Hospital Mário Gattinho e atrasos em obras na UPA São José. Com aumento de 23% nos casos de doenças respiratórias graves, pais enfrentam horas de espera e falta de médicos especialistas na rede municipal.

A crise no atendimento pediátrico na rede pública de saúde de Campinas ganhou novos contornos nesta terça-feira (2). Devido à saturação do Hospital Municipal Infantil Mário Gattinho, que registrou tempos de espera de até sete horas nos últimos dias, pais e responsáveis começaram a migrar para outras unidades em busca de socorro imediato. O reflexo mais visível dessa debandada ocorreu na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) São José, situada no Jardim das Bandeiras, que amanheceu com a sala de espera lotada, evidenciando o gargalo estrutural que afeta a assistência básica e especializada na metrópole paulista.

O cenário na UPA São José é agravado pelo fato de a unidade estar operando sob condições precárias devido a uma reforma na recepção que se arrasta desde outubro de 2025. Com a obra atrasada há pelo menos dois meses, pacientes adultos e crianças dividem o mesmo espaço sob coberturas improvisadas. A aglomeração é motivo de preocupação extra para as famílias, uma vez que uma parcela considerável dos pacientes apresenta sintomas de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). A mistura de crianças vulneráveis com adultos em ambientes confinados e inadequados potencializa o risco de contágio cruzado, gerando críticas contundentes de quem depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS).

Dados epidemiológicos explicam parte dessa pressão sobre o sistema municipal. Entre os meses de abril e maio deste ano, Campinas registrou um salto de 23,1% nos casos de SRAG, saltando de 164 para 202 registros. No Hospital Mário Gattinho, referência no setor, foram contabilizados mais de 2.200 atendimentos de quadros respiratórios leves em apenas 60 dias. A gravidade da situação reside no fato de que 27% das crianças hospitalizadas com SRAG precisaram de cuidados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e 11% necessitaram de ventilação mecânica para sobreviver. Quase 80% das vítimas são crianças menores de cinco anos, com prevalência ainda maior em bebês de até um ano.

A administração municipal, sob gestão pela Rede Mário Gatti, alega que tem buscado soluções paliativas para conter a crise. Como resposta imediata, foram abertos quatro novos leitos de UTI pediátrica e implementado um serviço de teleatendimento via WhatsApp para triagem remota de casos leves. Entretanto, o déficit de pessoal continua sendo o principal obstáculo. Processos seletivos emergenciais foram lançados para a contratação de pediatras, mas a baixa adesão de profissionais da medicina — problema recorrente em diversas prefeituras brasileiras — impede o preenchimento total das escalas de plantão. Das sete vagas urgentes para o pronto-socorro infantil, apenas duas foram preenchidas até o momento, enquanto as vagas para a UTI pediátrica não atraíram interessados na primeira chamada.

Para o leitor campineiro, a situação expõe a fragilidade da infraestrutura pública diante do período de sazonalidade das doenças respiratórias, comum entre o outono e o inverno. A prefeitura prometeu celeridade na entrega da reforma da recepção da UPA São José para os próximos dias e afirmou que a empresa responsável pelo atraso será multada. Enquanto as obras não são concluídas e o quadro de médicos permanece incompleto, a orientação é que as famílias utilizem o teleatendimento para casos menos complexos, tentando desafogar as unidades físicas. Contudo, para quem já aguarda horas na calçada ou dentro de veículos, a sensação é de que o planejamento para o inverno deste ano foi insuficiente para a demanda real da população.

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