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Corpus Christi em Matão: A trajetória e os bastidores dos famosos tapetes coloridos do interior paulista

Com quase 80 anos de história, tradicional celebração em Matão (SP) utiliza 1,2 quilômetro de arte para celebrar a Eucaristia e atrair milhares de turistas.

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Redação 360 Notícia
4 de junho de 2026 às 05:003 min
Corpus Christi em Matão: A trajetória e os bastidores dos famosos tapetes coloridos do interior paulista
Foto: Reprodução
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Matão, no interior de São Paulo, celebra a 78ª edição dos tradicionais tapetes de Corpus Christi, esperando atrair 50 mil visitantes. Com mais de 1.200 metros de arte em dolomita e areia, o evento une fé, tradição centenária e um legado cultural que mobiliza gerações de voluntários.

A cidade de Matão, localizada no interior do estado de São Paulo, reafirma sua posição como um dos principais centros de devoção e expressão artística religiosa do Brasil com a realização de seu tradicionais Tapetes de Corpus Christi. Em sua 78ª edição, o evento transforma as vias do Centro em uma monumental galeria a céu aberto, unindo a liturgia católica a uma tradição que já atravessa quase oito décadas de história. A expectativa para este ano é de que mais de 50 mil turistas visitem o município para acompanhar de perto a confecção das obras, participar das celebrações eucarísticas e observar a procissão que encerra as atividades religiosas do dia.

Historicamente, a celebração de Corpus Christi foi instituída pela Igreja Católica no século XIII, mais precisamente em 1264, com o objetivo de exaltar o mistério da Eucaristia — a crença na presença real de Jesus Cristo no pão e no vinho consagrados. Em Matão, essa manifestação de fé ganhou contornos próprios a partir de 1948, inspirada por tradições de origem portuguesa. O que começou como um esforço modesto de famílias moradoras do entorno da Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus, que utilizavam elementos simples como flores de mangueira e folhagens para preparar o caminho do Santíssimo Sacramento, evoluiu para uma estrutura complexa que hoje mobiliza milhares de voluntários e artistas plásticos renomados.

A montagem dos tapetes é um espetáculo à parte e exige uma logística rigorosa. Os trabalhos têm início na madrugada, por volta das 3h, quando grupos de fiéis e entusiastas da arte começam a preencher os desenhos previamente traçados no asfalto ao longo de 12 quarteirões. Ao todo, são mais de 1.200 metros de extensão cobertos por materiais que, ao longo das décadas, foram sendo aprimorados. Se nos primeiros anos utilizava-se serragem e bagaço de cana, a partir da década de 1950 houve uma transição para o vidro moído, que conferia brilho e resistência aos ventos. No entanto, por questões de segurança e inovação técnica, desde 2007 utiliza-se predominantemente a dolomita — um mineral em pó de textura calcária — além de areia colorida, garantindo vivacidade às imagens que retratam passagens bíblicas e temas sociais contemporâneos.

O impacto cultural e econômico para a região é significativo. Desde que a revista "O Cruzeiro" deu visibilidade nacional ao evento em 1961, Matão entrou definitivamente no calendário do turismo religioso brasileiro. A prefeitura atua em conjunto com a comunidade católica para fornecer o suporte necessário, desde a matéria-prima para os tapetes até a infraestrutura de acolhimento aos visitantes. Para os moradores, a confecção não é apenas uma tarefa técnica, mas um rito de passagem e união comunitária. O tema deste ano, "Eucaristia: a morada de Deus entre nós!", serve como fio condutor para as reflexões que permeiam a jornada de trabalho dos voluntários e as orações dos fiéis durante as missas solenes.

O encerramento das atividades ocorre após a missa das 15h, quando se inicia a procissão oficial. É o momento em que o Santíssimo Sacramento deixa o ambiente protegido do templo e percorre o caminho ricamente decorado, em um gesto que simboliza a caminhada do povo de Deus em meio às realidades do mundo. Para o observador atento, os tapetes de Matão são mais do que ornamentos efêmeros que desaparecem ao final do dia; eles representam a resiliência de uma tradição que se adapta aos tempos modernos sem perder sua essência espiritual. O legado deixado por pioneiros como o artista Victório D'Agostino permanece vivo na mão de cada jovem que, sob o frio da madrugada, ajuda a moldar a identidade cultural de sua cidade através da areia e da cor.

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