Comandante da PM do Ceará defende nova classificação para policiais em casos de morte
Para o coronel Sinval Sampaio, nova nomenclatura protege a carreira do policial e reflete a realidade do combate ao crime organizado.

O comandante-geral da PMCE, coronel Sinval Sampaio, celebrou a mudança que classifica policiais como 'interventores' em inquéritos de mortes. O estado registra alta de 40% na letalidade policial em 2026.
Em entrevista concedida nesta quarta-feira (13), o comandante-geral da Polícia Militar do Ceará, coronel Sinval Sampaio, defendeu as mudanças na nomenclatura dos inquéritos que apuram óbitos em confrontos. Segundo o oficial, a alteração promovida pelo governo estadual é fundamental para o exercício da profissão, uma vez que o agente passa a ser designado como 'interventor' no exercício de sua função estatal, e não mais como 'autor'. A medida visa proteger a trajetória funcional e criminal dos policiais, evitando prejuízos em processos de promoção dentro da corporação.
A nova diretriz altera também a forma como os suspeitos são classificados nos registros, passando a serem descritos como 'opositores'. De acordo com Sampaio, essa distinção é coerente com a realidade do combate a organizações criminosas de alta periculosidade, que frequentemente resistem às abordagens. O comandante destacou que o cenário de violência exige essa postura, citando que o estado enfrenta grupos caracterizados pela 'ultraviolência', o que justifica o emprego da força legal diante de resistências armadas.
Apesar da defesa do novo modelo administrativo, os índices de letalidade policial apresentaram alta significativa. Nos primeiros quatro meses de 2026, o Ceará contabilizou 87 mortes em intervenções, um salto de 40,3% em relação ao mesmo intervalo de 2025. O ano anterior já havia registrado o volume mais alto desse tipo de ocorrência desde 2019. Por outro lado, o comando da PM ressaltou resultados positivos em outras frentes da segurança pública, como a queda expressiva nos roubos, furtos e homicídios no último quadrimestre.
Para o futuro, a estratégia da Polícia Militar envolve o aprimoramento tecnológico e o uso de inteligência de dados. O coronel mencionou planos para integrar câmeras de estabelecimentos comerciais ao sistema de vigilância do Estado, enfatizando a necessidade de um monitoramento em tempo real para prevenir delitos. Atualmente, a corporação também se prepara para as celebrações de seus 191 anos, que contarão com uma série de eventos culturais e esportivos abertos à população.






