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China reconhece Brasil como livre de febre aftosa e amplia mercado de carne

Decisão encerra negociação de 20 anos e abre portas para novos mercados na Ásia, projetando aumento bilionário nas vendas.

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Redação 360 Notícia
3 de junho de 2026 às 01:003 min
China reconhece Brasil como livre de febre aftosa e amplia mercado de carne
Foto: Reprodução
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A China oficializou o reconhecimento do Brasil como livre da febre aftosa, eliminando barreiras históricas para a carne bovina. A medida deve impulsionar as exportações em pelo menos US$ 150 milhões no curto prazo e abrir portas em mercados vizinhos.

Em um marco histórico para o agronegócio nacional, o governo da China anunciou oficialmente o reconhecimento do Brasil como um país livre da febre aftosa. A decisão, comunicada nesta terça-feira (2), representa o desfecho de um processo diplomático e sanitário que se arrastava por mais de duas décadas. Com a chancela de Pequim, as restrições que ainda incidiam sobre a exportação de carne bovina brasileira para o gigante asiático foram suspensas, abrindo caminho para uma nova fase de expansão comercial. O reconhecimento ocorre aproximadamente um ano após a Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA) conferir ao Brasil o status de área livre da enfermidade sem a necessidade de vacinação, validando o rigor técnico das autoridades sanitárias brasileiras.

A febre aftosa sempre foi um dos principais gargalos para o acesso a mercados de alto valor agregado. Durante décadas, o Brasil investiu pesadamente em programas de erradicação, vigilância e controle de fronteiras para garantir que o rebanho nacional estivesse protegido. A transição do status de "livre com vacinação" para "livre sem vacinação" é considerada a "graduação máxima" no setor de proteína animal, pois demonstra que o sistema de defesa agropecuária do país é robusto o suficiente para manter a sanidade sem a dependência de imunizantes. Para a China, que é o maior parceiro comercial do Brasil, essa segurança era o elemento que faltava para remover barreiras técnicas que ainda limitavam o fluxo de mercadorias de certas regiões brasileiras.

Os números que envolvem a relação comercial entre os dois países são superlativos e explicam a relevância estratégica da medida. Somente em 2025, o Brasil destinou aos portos chineses cerca de 1,5 milhão de toneladas de carne bovina, o que representa metade de toda a produção exportada pelo país no período. Esse volume gerou uma receita bruta de aproximadamente US$ 9 bilhões. Com o fim das restrições e o reconhecimento da equivalência sanitária total, especialistas da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) projetam um incremento imediato de, no mínimo, US$ 150 milhões nas vendas apenas no primeiro ano de vigência da nova regra, considerando as empresas que já possuem habilitação para exportar.

Além do impacto financeiro direto, o reconhecimento chinês possui um "efeito vitrine" fundamental para a diplomacia comercial brasileira. O setor produtivo espera que a decisão de Pequim funcione como um selo de qualidade irrefutável para outras nações asiáticas extremamente exigentes. Países como Japão e Coreia do Sul, que tradicionalmente mantêm protocolos rigorosos e suspensões preventivas contra nações que vacinam seus rebanhos, agora passam a ser alvos prioritários dos exportadores brasileiros. A expectativa é que, ao observar o movimento da China, esses mercados acelerem suas próprias vistorias e reconhecimentos, permitindo que o Brasil amplie sua participação em nichos de carne premium no Oriente.

Para o futuro imediato, a pauta de negociações entre Brasília e Pequim deve incluir a ampliação da lista de produtos permitidos. Representantes do setor acreditam que o novo status sanitário facilitará a abertura de mercado para miúdos e carne com osso, subprodutos que possuem alta demanda no mercado chinês e que trazem margens de lucro interessantes para os frigoríficos brasileiros. O governo federal e as associações de classe, como a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), intensificaram o monitoramento para garantir que as exigências de rastreabilidade continuem sendo cumpridas à risca, evitando interrupções nas remessas e consolidando o Brasil como o porto seguro da segurança alimentar global.

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