Adolescente espancado por lutador em Goiânia relata trauma e insônia após violência em praça
O jovem detalhou o sofrimento físico e mental após o ataque, enquanto o agressor é denunciado por descumprir medidas judiciais e filmar a família da vítima.

O jovem de 17 anos detalha o trauma após ser estrangulado e espancado por um lutador de Jiu-Jitsu em Goiânia. O agressor, que foi solto e agora usa tornozeleira eletrônica, é acusado de continuar intimidando a família da janela de um novo apartamento próximo ao local do crime.
Um episódio de extrema violência chocou os moradores do Setor Jardim Goiás, um dos bairros de maior valorização imobiliária em Goiânia. Um adolescente de 17 anos, que foi brutalmente agredido por um lutador profissional de artes marciais no final de maio, detalhou os momentos de pavor e as sequelas físicas e psicológicas que enfrenta desde o ocorrido. O caso, que teve início em uma quadra poliesportiva pública, revela a gravidade da insegurança em espaços de lazer e a vulnerabilidade de jovens diante de agressores treinados. O jovem relatou sentir dores intensas por todo o corpo e enfrentar dificuldades severas para dormir, evidenciando o impacto traumático de uma violência desproporcional.
De acordo com os relatos da família e o boletim de ocorrência, as agressões ocorreram na Praça das Artes no dia 29 de maio. O jovem participava de uma partida de futebol com amigos quando Rafael Gomes Pereira, de 43 anos, teria abordado o menor de forma agressiva. Segundo a mãe da vítima, Vivian Cunha, o agressor questionou o motivo de o adolescente estar olhando para ele antes de iniciar uma série de ataques violentos. Rafael, que se identifica como faixa preta nas modalidades de Jiu-Jitsu e Muay Thai, teria desferido socos e chutes, além de aplicar uma técnica de estrangulamento que durou cerca de um minuto. O adolescente chegou a perder a consciência e relatou a sensação agonizante de sufocamento antes de desmaiar na quadra.
O estado físico do jovem após o ataque é preocupante. Ele apresenta lesões no pescoço, tórax, braços e pernas, além de dores nas costelas que o impedem de realizar atividades básicas, como frequentar a escola. "Está muito sensível, só de falar já dói", desabafou o garoto em registros enviados à imprensa. Além do dano físico, o aspecto psicológico preocupa a família, já que o adolescente afirma não conseguir raciocinar com clareza e viver sob constante estado de alerta. O agressor teria proferido ameaças de morte durante o espancamento, o que agrava o quadro de estresse pós-traumático da vítima, que agora depende de medicação contínua para suportar as dores e a ansiedade.
Apesar de ter sido preso em flagrante no dia do crime, Rafael Gomes Pereira foi libertado pouco tempo depois durante a audiência de custódia, mediante a aplicação de medidas cautelares. O Judiciário determinou o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de se aproximar a menos de 300 metros da vítima. Entretanto, novas denúncias surgiram nos últimos dias, indicando que o lutador estaria ignorando as restrições judiciais. Vivian Cunha afirma que o agressor se mudou para um apartamento com vista direta para a praça onde o crime ocorreu, de onde foi flagrado filmando a família e outras pessoas que frequentam o local. Este comportamento foi interpretado pela família como uma forma de intimidação continuada, gerando um novo registro policial por descumprimento de ordem judicial.
O caso agora aguarda novas decisões do Poder Judiciário. Embora a Polícia Civil tenha solicitado a prisão preventiva de Rafael devido ao descumprimento das cautelares, o pedido ainda está em análise pelo juiz natural da causa. A comunidade local e defensores dos direitos da criança e do adolescente acompanham o desdobramento com atenção, questionando a eficácia das medidas protetivas em casos de agressões cometidas por indivíduos com treinamento em artes marciais, que podem ser consideradas "armas brancas" pela letalidade dos golpes. Espera-se que a justiça atue com rigor para garantir a integridade física da família atacada e reestabelecer a sensação de segurança no convívio social do bairro.






