Açougue em Cuiabá é interditado por presença de insetos e raticida próximo aos alimentos
Fiscalização no bairro Quilombo resultou na interdição do local e descarte de quase 200 kg de alimentos impróprios.

Uma operação conjunta entre a Vigilância Sanitária e a Polícia Civil interditou um açougue no bairro Quilombo, em Cuiabá, após flagrar insetos, raticida próximo a carnes e equipamentos enferrujados. Quase 200 kg de produtos foram inutilizados devido às graves infrações higiênico-sanitárias.
Em uma ação conjunta realizada nesta segunda-feira (18), a Vigilância Sanitária de Cuiabá e a Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon), interditaram um açougue localizado no bairro Quilombo, um dos mais tradicionais da capital mato-grossense. A operação foi motivada por denúncias sobre as condições precárias de higiene no estabelecimento, que colocavam em risco direto a saúde pública. Ao chegarem ao local para a inspeção técnica, as autoridades encontraram um cenário de negligência generalizada, onde o descumprimento das normas básicas de segurança alimentar era evidente em cada setor do comércio visitado.
O quadro identificado pelos fiscais durante a varredura foi considerado alarmante. Entre as irregularidades mais graves, destacou-se a presença de insetos vivos circulando livremente pelos balcões onde as carnes eram manipuladas e servidas aos clientes. Mais grave ainda foi a localização de veneno para ratos (raticida) posicionado de forma inadequada, em áreas adjacentes à circulação de consumidores e próximas aos próprios alimentos, o que configura um alto risco de contaminação química acidental. Além disso, a equipe de fiscalização registrou que carnes e outros produtos eram armazenados diretamente sobre o piso, sem qualquer proteção ou suporte que evitasse o contato com impurezas do solo e agentes infectantes.
A investigação detalhada revelou ainda que a falta de manutenção era crônica. Equipamentos essenciais para o funcionamento de um açougue, como moedores e ganchos, apresentavam forte oxidação (ferrugem), o que pode transferir resíduos metálicos e bactérias para os alimentos. Em um dos episódios mais chocantes relatados pelos técnicos e policiais, foram encontradas partes de insetos incrustadas em peças de frango que estavam expostas para venda no balcão refrigerado. Ao todo, a Vigilância Sanitária lavrou 25 infrações distintas, que tratavam desde o acúmulo de sujeira nas instalações físicas até a ineficiência das câmaras frias, que não mantinham a temperatura adequada para a conservação proteica.
Como resultado direto da operação, aproximadamente 192 quilos de carnes e produtos derivados foram apreendidos, inutilizados e imediatamente descartados sob supervisão das autoridades. Além do estado de conservação precário, muitos desses itens eram produzidos de forma artesanal no próprio local, como hambúrgueres e espetinhos, mas não possuíam os registros obrigatórios nos órgãos reguladores, o que impede a rastreabilidade da matéria-prima. A ausência de selos de inspeção e a falta de controle sobre a origem dos produtos processados foram pontos determinantes para a interdição total do estabelecimento, que agora permanece de portas fechadas por tempo indeterminado.
Os responsáveis pelo estabelecimento deverão responder administrativa e criminalmente pelas irregularidades constatadas. A Decon ressalta que esse tipo de fiscalização é fundamental para garantir que o Direito do Consumidor seja respeitado, especialmente no que tange à segurança alimentar. Para que o açougue possa voltar a operar no futuro, os proprietários precisarão realizar uma reforma estrutural completa, higienização rigorosa e obter novas certificações junto aos órgãos de saúde. A Polícia Civil reforça a importância da participação popular e informa que denúncias sobre outros locais em condições semelhantes podem ser feitas de forma anônima através dos canais oficiais, contribuindo para a manutenção da saúde coletiva na capital.






